As acções de empresas ligadas à inteligência artificial registaram fortes quedas esta segunda-feira, depois de responsáveis das principais empresas norte-americanas do sector defenderem uma desaceleração no desenvolvimento de modelos avançados, devido aos riscos associados à tecnologia.

Os futuros do índice Nasdaq recuaram 1,3% durante o pregão asiático, enquanto as acções da SoftBank, investidora da OpenAI, chegaram a cair 13,2% no Japão. A fabricante de chips de memória Kioxia recuou 9,8%, a Tokyo Electron perdeu 3,7% e, na Coreia do Sul, a SK Hynix e a Samsung Electronics caíram 5,3% e 3,7%, respectivamente. Em Taiwan, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) recuou 1,2%.

A pressão aumentou depois de Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, defender que as empresas de IA reduzam o ritmo de desenvolvimento dos seus modelos perante os riscos de utilização indevida. Elon Musk, da xAI, e Sam Altman, da OpenAI, manifestaram concordância com o alerta. Amodei considera que, dentro de seis a 12 meses, agentes de IA poderão alcançar capacidades capazes de provocar danos de centenas de milhares de milhões de dólares.

A Anthropic divulgou também um relatório sobre ameaças relacionadas com a utilização dos seus modelos Claude em actividades que incluem desenvolvimento de armas, operações cibernéticas, vigilância e fraude. Altman classificou como “inaceitáveis” os riscos de extinção humana associados à inteligência artificial, enquanto o debate sobre a necessidade de novas regras para o sector ganha força nos Estados Unidos.

Os alertas surgem num momento em que o investimento em inteligência artificial tem impulsionado uma parte significativa dos ganhos das bolsas desde o lançamento do ChatGPT, em 2022. No entanto, a crescente oposição à construção de centros de dados e os ataques cibernéticos associados a agentes de IA começam a aumentar as dúvidas sobre a sustentabilidade do ritmo de expansão do sector.

Para os investidores, a principal preocupação passa agora pelo retorno dos elevados montantes aplicados na construção de nova capacidade de IA. Analistas alertam que as avaliações das empresas pressupõem uma forte procura e avanços tecnológicos contínuos, pelo que qualquer atraso no desenvolvimento poderá desencadear novas vendas de acções e realização de lucros.

A posição dos líderes do sector também enfrenta críticas. Michael Burry, conhecido pelas apostas contra o mercado imobiliário norte-americano antes da crise financeira de 2008, classificou os alertas como “exagero e propaganda”, enquanto o jornal chinês Global Times considerou o posicionamento da Anthropic uma tentativa de conter o desenvolvimento tecnológico da China. Paralelamente, Estados Unidos e China deverão discutir a segurança da inteligência artificial nas negociações bilaterais previstas para este mês.