Os Estados Unidos estão a preparar novos mísseis para a Ucrânia concebidos para serem utilizados nos sistemas de defesa aérea S-300 de origem soviética, numa solução tecnológica que procura prolongar a utilização de plataformas que Kiev mantém em serviço, mas para as quais enfrenta limitações no fornecimento de munições.

A designação “S-300 Clone” consta da documentação relativa ao pacote de 2,68 mil milhões de dólares aprovado pelo Departamento de Estado norte-americano a 18 de Setembro. Apesar do nome, o míssil não deverá ser uma cópia do modelo soviético 5V55, mas um desenvolvimento novo, com um sistema de orientação mais moderno.

Os Estados Unidos ainda não divulgaram o fabricante, a quantidade, o alcance ou outras especificações técnicas do novo armamento. A falta destes dados mantém em aberto a configuração final do sistema e a forma como será integrado nos equipamentos ucranianos.

O desenvolvimento de um substituto para o S-300 já tinha sido anunciado em Setembro de 2024 pelo então secretário da Defesa norte-americano, Lloyd Austin. Na altura, os EUA indicaram que trabalhavam com empresas europeias e com a Ucrânia no desenvolvimento de um substituto para o sistema soviético e para o míssil ar-ar R-27.

O pacote inclui igualmente o GAM-67, outro desenvolvimento destinado a plataformas de médio alcance, incluindo sistemas soviéticos existentes. A designação coincide com a de um antigo projecto norte-americano dos anos 1950, mas o equipamento previsto no actual acordo corresponde a uma tecnologia nova.

Além dos mísseis, o fornecimento prevê componentes para modernização e manutenção dos sistemas, incluindo peças sobressalentes, software, equipamentos, transporte, serviços de engenharia e assistência técnica e logística.

A combinação de novos armamentos com plataformas soviéticas permite à Ucrânia aproveitar sistemas que já possui, através da introdução de componentes tecnológicos desenvolvidos mais recentemente.